quarta-feira, novembro 29, 2006
segunda-feira, novembro 20, 2006
Fazer bem sem olhar a quem
Tinha feito pouco mais de um mês que fatalmente fiquei sem o meu Bichinho. Ainda na miserável dor que sentia encontrei o Benny.
Foi o destino talvez que naquele dia me desviou do meu habitual caminho para encontrar, este gatinho com apenas 2 mesitos, num estado lastimável.
Os meus olhos fixaram-se nele com uma amargura profunda e ele pediu-me num miar triste ajuda. Fiquei ali olhando-o para ver se ele se mexia. Mas não! Arrastava-se simplesmente com a ajuda das patas dianteiras. Não podia estar mais magro, viam-se os ossos que lhe saiam da parte traseira no lombo! Não dava para ver se estava com os ossos esmagados, porque estava completamente coberto de porcaria, e tinha um cheiro nauseabundo.
Levei-o comigo para casa. Dei-lhe comida do que tinha das minhas gatas, e água. Depois tentei lavá-lo, mas tinha medo de o magoar, porque verifiquei que estava em carne viva na parte traseira. Não sabia que fazer com ele. Estava a passar uma fase muito difícil na minha vida, e nem sequer me atrevi a pensar ir com ele ao veterinário, porque não tinha dinheiro comigo. De uma coisa tinha a certeza, não iria abandonar outra vez aquele esqueletozinho. Depois de tentar limpa-lo como pude, enrolei-o numa toalha e confortei-o junto ao meu pescoço. Ele tremia e ronronava. Confesso que tive um momento de fraqueza e chorei. No momento não sei se por ele, se pela dor recente do meu bichano. Mas agarrei-me àquele menino e prometi a mim mesma fazer tudo para que ele se salvasse.
Pedi ajuda a várias pessoas e associações. Compreendi algumas coisas deste mundo virtual em que parece que todas as pessoas e associações estão prontas a ajudar seja em que situação fôr, mas o certo é que não é bem assim.
Finalmente consegui ajuda com o GRUPO BICHANOS DO PORTO, que nem é uma Associação, mas que é muito mais do que isso. É um grupo onde funciona a força da boa vontade humana. Graças à boa vontade e em acreditarem em mim, pois não me conheciam de lado algum, o Benny foi operado ao fémur e foram as despesas pagas por este Grupo. Nunca mais esqueci, nem vou esquecer, as pessoas que encontrei, nesta lição de vida. Sentia-me só e impotente para ajudar aquele gatinho, passei a sentir-me reconfortada, compreendida, e senti-me muito bem enquanto humana.
O actual dono, pessoa de total confiança, veio mais tarde a saber de toda a esta história, e quando viu o Benny já estava no pós-operatório, mas conquistou-lhe o coração desde os primeiros momentos que o viu. Nada previa que o viesse a adoptar. No entanto quando coloquei a hipótese de que quando o Benny recuperasse iria para adopção, não lhe resistiu e pediu para ficar com ele, porque achava o Benny um gatinho muito especial.
Agora o Benny é um gatinho feliz e deixo ficar aqui umas fotos que não carecem de palavras. Comer... dormir... apanhar banhos de sol... brincar... enfim um gato feliz, do qual sinto orgulho e muito gratificada por tudo o que lhe fiz.






